ENTRE IDAS E VINDAS - uma vida emigrante


Curitiba

Ontem fui a mais uma festa de despedida de uma amiga que vai voltar para Portugal.
Todos nós que já emigramos, fazemos as nossas festas de despedida quando partimos dos nossos países, juntamos os amigos, homenageamos a família, choramos muito mas sempre escondendo o medo do que estará por vir.
A partir dali a nossa vida nunca mais será a mesma, a saudade passa a ser uma doença crônica e o dia de amanhã parece-nos um precipício do qual nos atiramos sem saber se o paraquedas vai abrir ou não.

Mudar de país deixa-nos com um buraco no coração, mas verdade seja dita, e apesar da nossa família e dos nossos amigos mais próximos serem insubstituíveis, esse buraco não fica vazio não.
Foto de Kika Pais.
Natal da Comunidade Portuguesa em Curitiba
Conhecer outras pessoas e fazer verdadeiras amizades tão longe de casa é constituir uma nova família, de um jeito ou de outro passamos a fazer parte da vida uns dos outros, a celebrar os aniversários juntos, partilhamos as ceias de Natal, o Domingo de Páscoa, uma viajem ou outra e acima de tudo passamos a estar lá, para o que der e vier.

Vejo algumas comunidades mais unidas que outras, nós, portugueses aqui em Curitiba temos um grupo bonito, já fomos muitos, muitos mesmo, mas a vida vai tomando rumos e muitos tem voltado a Portugal ou até para outros países, a minha conta já ultrapassou pelo menos 30 pessoas que foram embora, uns mais próximos que outros, mas acreditem, o sentimento não é diferente que quando nos despedimos da família lá em Portugal, voltamos a ficar com um buraco no coração.
Mas se por um lado ficamos tristes por mais uma despedida, por outro sempre nos alegramos por mais uma etapa na vida de cada um, que certamente lhes trará muitas alegrias e sucessos.

As dificuldade de quem emigra são amenizadas quando temos o apoio de quem já passou por isso e nos compreende, por isso enquanto uns vão e outros vêm, nós cá ficamos, como uma família maleável e de braços abertos para acolher quem vier. 

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