Gastronomizando - TOUCINHO DO CÉU

De certo que o nome do doce Toucinho do Céu, gera bastante curiosidade, afinal de contas, tem um nome meio estranho e que sugere algo salgado não é?
Mas a par com outros doces portugueses como o salame de chocolate, ou o próprio pastel, que em Portugal quase sempre é um doce, o Toucinho do Céu tem a sua história que é deveras curiosa.

"O toucinho-do-céu de Guimarães faz parte do famoso receituário das freiras de Santa Clara de Guimarães.  O Abade de Tagilde conta-nos as origens da atividade de doceiras das clarissas de Guimarães. Cada uma recebia $6400 réis por ano, para o seu bolsinho. Pouco dadas aos rigores monásticos, as freiras, por acharem insuficiente a soma a que tinham direito, encontraram o meio para a aumentar, passando a dedicar-se à indústria dos doces de forno para fora, arte em que desde cedo ganharam fama. Com o tempo, a coisa assumiu foros de abuso. O Arcebispo de Braga, no início de Dezembro de 1758, por lhe constar que as freiras de Santa Clara de Guimarães costumavam, pelo Natal, gastar mais tempo a fazer doces do que no serviço a Deus (além de se dedicarem a danças e entremezes profanos), interditou-lhes as artes pasteleiras desde o início do Advento até 7 de Janeiro, no início de Dezembro de 1771, as freiras pediram autorização para fazerem algumas chouriças (toucinhos), por ser ao presente a sua ração muito ténue, para se alimentarem pelo decurso do ano, as quais se não podiam fazer depois do Natal, mas sim antes dele por ser o seu próprio tempo. Esta autorização foi pedida porque tais “chouriças” levavam algum açúcar. Em 1884, Ana Angelina e Antônia Amália eram as duas últimas freiras de Santa Clara, estiveram presentes na Exposição Industrial com vários doces, entre os quais o celebrado toucinho-do-céu."

Ficou bem entendido que as freiras assim que meio que distorceram a receita do chouriço para elaborar um dos melhores doces de Portugal, mas existem outras histórias, como a que na receita seria usado banha de porco para a confecção do doce, o que a mim me parece mais credível, mas não deixa de ser bem interessante e divertida a primeira história relatada.

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